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sexta-feira, maio 24, 2024
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Sabores do passado: histórias gastronômicas que resistem ao tempo

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Sabores do passado: histórias gastronômicas que resistem ao tempo

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Receitas transmitidas de geração em geração e empresas familiares que atravessam décadas. Estas são algumas das muitas facetas das histórias gastronômicas que moldam a identidade cultural e preservam tradições familiares em todo o Brasil. Em um país onde a comida, mais do que nutrição, é uma herança viva, a passagem de receitas entre membros da família se torna um ato de conexão emocional, mantendo vivas as memórias e as narrativas familiares.

E para contar essas histórias, surge o projeto Comida com História, criado por três jornalistas – Leyla Spada, Amanda Santo e Gustavo Schwabe – que se dedicam a desvendar os segredos culinários que dão sabor à vida das pessoas. Esses profissionais da comunicação exploram, documentam e compartilham histórias sobre alimentos através de vídeos, textos e áudios. 

Os idealizadores do projeto decidiram buscar histórias gastronômicas nos estados brasileiros. Cada estado revela sua própria peculiaridade – desde receitas ancestrais até negócios familiares que resistem ao tempo. Através de uma série de revistas especializadas sobre o assunto publicadas em seu site, cada uma focada em um estado brasileiro, o Comida com História compartilha as histórias por trás das receitas, dos ingredientes, dos negócios locais e da cultura que permeia a gastronomia regional.

“As histórias gastronômicas que permeiam o Brasil são muito mais do que simples relatos sobre comida. São testemunhos da nossa identidade, da nossa história e das nossas tradições. Ao desvendar e compartilhar essas narrativas, seja através de projetos jornalísticos como o “Comida com História” ou por meio da transmissão oral entre gerações, estamos preservando um legado valioso para as futuras gerações. Essas histórias não apenas nos conectam com o passado, mas também nos inspiram a valorizar e celebrar a diversidade cultural que se manifesta através da culinária brasileira” relata Leyla Spada.

As indicações geográficas de Santa Catarina

Dentre os diversos alimentos produzidos em Santa Catarina, oito produtos recebem reconhecimento como Indicações Geográficas (IG), uma distinção que destaca suas qualidades relacionadas aos locais de origem: Uva Goethe, Banana de Corupá, Queijo Artesanal Serrano, Vinhos de Altitude, Mel de Melato da Bracatinga, Maçã Fuji de São Joaquim, Erva-Mate do Planalto Norte Catarinense e a Linguiça Blumenau. 

Bananas de Corupá

Entre esses produtos, destacam-se as bananas de Corupá, região nordeste de Santa Catarina, cujo relevo peculiar favorece um processo de amadurecimento mais lento, resultando em frutas mais ricas em amido e, consequentemente, reconhecidas nacionalmente como as bananas mais doces do Brasil.

É em Corupá que se encontra a empresa Bananas Gostosas, que vem se destacando pela qualidade de suas bananas, e também pela inovação em produtos derivados da fruta. Fundada em 1943 por dois agricultores locais, a empresa começou sua jornada produzindo um doce com bananas desidratadas – uma solução criativa para evitar o desperdício das frutas que não seriam consumidas ou vendidas a tempo. Utilizando fornos a lenha, o processo de desidratação era lento, mas garantia um produto final de alta qualidade.

Atualmente, a Bananas Gostosas é liderada pelo neto dos fundadores, Daniel Martins, e sua esposa, Gisleini Martins, que deram continuidade à tradição familiar, e trouxeram inovação ao negócio. Embora as bananas desidratadas continuem sendo o carro-chefe da empresa, a oferta expandiu para incluir uma variedade de produtos, como bananas cobertas com chocolate e um doce cremoso de banana.

“Eu me apaixonei quando cheguei aqui e vi o amor, a dedicação com que tudo é feito. É bem trabalhoso, mas é muito gratificante.” compartilha Gisleine Martins, atual sócia proprietária do negócio familiar.

Vinhos de altitude

Nas regiões da Serra Catarinense e Vale do Contestado, um produto vem se destacando e recebeu a IG ‘Vinhos de altitude.’ Uma produção realizada em uma altitude entre 900 e 1400 metros é determinante para a alta qualidade dos vinhos, que se destacam pelo sabor e aroma diferenciados.

A paixão pelo vinho vem de longa data na família Conti. Seguindo os passos do avô, que já possuía um parreiral na Itália, Humberto Conti decidiu se mudar para a Serra Catarinense após a aposentadoria para seguir o mesmo caminho. “Busquei minhas origens quando sonhei em ter uma vinícola. Quando provei os vinhos produzidos no local, decidi que precisava abrir a Villaggio Conti, não pela questão financeira, mas pelo prazer em produzir vinhos e receber pessoas”, conta Humberto.

Os filhos de Humberto também se envolveram no negócio e, juntos, foram até a Itália para escolher as uvas que seriam plantadas na vinícola, sempre levando em consideração as particularidades do clima de Santa Catarina. Hoje, além dos vinhos, a família oferece uma experiência completa para os visitantes, inspirada nas cantinas italianas, onde é possível apreciar a comida produzida na cozinha dos Conti enquanto degustam o sabor do vinho.

Queijo artesanal serrano

Em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, mais de três mil famílias seguem a tradição da produção do queijo artesanal serrano. José Lourenço Machado é um dos representantes dessa tradição e desde criança acompanhou seus pais no processo completo de produção. 

Depois de alguns anos estudando fora, José retornou ao seu lar em Capão Alto para dar continuidade à tradição familiar que tanto amava acompanhar. Atualmente, com 40 anos de dedicação no ramo, ele e sua esposa, Salete, trabalham juntos em todas as etapas da produção do queijo, exatamente como ele aprendeu com os pais.

A produção do queijo artesanal serrano é uma arte que exige muita dedicação e habilidade. O processo completo é feito à mão, e inclui a ordenha, coagulação, prensagem, salga e maturação. Cada etapa é fundamental para garantir a qualidade do produto final. Para manter a tradição e o sabor característico do queijo, a receita é passada de geração em geração pelas famílias da região, mantendo-se o preparo artesanal.

Fotos / Divulgação

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