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Mostra Audiovisual Fazendo Gênero 9 começa nesta sexta na Fundação Badesc

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Mostra Audiovisual Fazendo Gênero 9 começa nesta sexta na Fundação Badesc

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Filmes inéditos da cineasta vietnamita Trinh Minh-há abrirão, com presença da diretora.

Nesta próxima sexta-feira, dia 20 de agosto, a cineasta e compositora Trinh Minh-ha estará presente para uma conversa, durante a abertura da nona edição da Mostra Audiovisual Fazendo Gênero. Quatro de seus filmes foram legendados em português para serem exibidos: Surname Viet Given Name Nam (1989), na sexta-feira, na Fundação BADESC, e Reassemblage (1982), Shoot for the contents (1992) e A tale of love (1995), no sábado e domingo, no auditório do DAC/UFSC. Na sexta-feira, além do filme Sobrenome Viet, nome Nam, será exibido Kseni, a estrangeira, de Jocy de Oliveira.

Jocy e Trin são homenageadas nesta Mostra Audiovisual, que faz parte do Seminário Internacional Fazendo Gênero 9. Ambas são renomadas artistas cujas obras transitam por diversas linguagens e são permeadas pelas categorias políticas de alteridade e deslocamento, fruto, em parte, de terem atuado em vários países e se deslocado de suas origens – Trinh nasceu em Hanói, e Jocy, em Curitiba – para regiões e culturas bem variadas, vivendo e trabalhando na Europa e América do Norte.

Jocy é compositora, pianista e artista multimídia, que desenvolve, desde 1961, um trabalho de vanguarda nas áreas música, teatro, instalações, textos e vídeo. Ela gravou 22 discos no Brasil, Inglaterra, EUA, Alemanha e México além de suas seis óperas numa coleção de 4 DVDs lançados no Brasil, respeitando as peculiaridades da linguagem cinematográfica. Atuou como solista sob a regência de Stravinsky e apresentou primeiras audições de compositores que dedicaram obras a ela, tais como Iannis Xenakis, Luciano Berio, Claudio Santoro e John Cage. Criou e dirige o conjunto Jocy Ensemble, atuando em um espaço tradicionalmente masculino. Para esta mostra, foi escolhido seu mais recente trabalho. Kseni – a estrangeira (2005), obra inspirada no mito de Medéia, foi desenvolvida com apoio de uma bolsa da Fundação Guggenheim. Nesta releitura, não há apelo para a questão do amor; as ações da bárbara mulher da cólquida são ressignificadas no ambiente da xenofobia, misoginia e intolerância no mundo contemporâneo.

Trinh é cineasta, poeta, compositora e escritora, com formação em etnomusicologia e literatura francesa. É também professora no Departamento de Retórica da Universidade de Berkeley, sendo conhecida por suas teorias na área de estudos feministas e pós-coloniais. Seu filme mais conhecido, Reassemblage , recebeu o prêmio nacional Maya Deren de realizador independente, do American Film Institute’s e uma bolsa da Fundação Guggenheim. Dentre outros méritos, o filme, ao propor uma montagem disjuntiva, desafia o modelo tradicional de documentário, opondo-se a uma abordagem autoritária em sua forma e conteúdo. Seus 6 filmes já foram objeto de 27 retrospectivas pelo mundo. Neles, pode-se dizer, está refletida sua visão de que “não há um, mas muitos centros – e todas as relações de dominação e subordinação (colonizador/colonizado, homem/mulher, diretor/tema, par citar algumas relações, devem ser questionadas”. De fato, bárbaro/estrangeiro/outro pode ser qualquer um – a periferia depende de onde se estabelece o centro, donde exclusão e inclusão são conceitos relacionais.

Neste âmbito, o movimento feminista tem contribuído para quebrar a dicotomia entre público e privado, e defende seus filmes como políticos não porque tratam de grandes autoridades políticas, mas trata, oliticamente, das interações e deslocamentos cotidianos.

A Mostra Audiovisual fazendo Gênero 9 é uma atividade gratuita e aberta ao público e exibe, a partir de segunda-feira, mais de 60 filmes, dentre os quais dois dirigidos por Hanna Schygulla, Eu e meu duplo e Alicia Bustamante, ambos cedidos gentilmente pela famosa atriz alemã para o Fazendo Gênero.

Programação da Abertura da Mostra Audiovisual Fazendo Gênero

20/08 (sexta-feira) 18h às 22h Auditório da Fundação Cultural BADESC
Kseni – a estrangeira (Jocy de Oliveira, 2005, 70 min) e Surname Viet Given Name Nam (Trinh Minh-ha, 1989, 108 min, legendado em port.)

21 (sábado) Auditório do DAC (ao lado da igrejinha da UFSC) 16h30 às 19h
Reassemblage (Trinh Minh-ha 1982, 40 min) e Shoot for the content, (Trinh Minh-ha 1992, 102 min.) ambos legendados em port.

22/08 (domingo)Local: Auditório do DAC (ao lado da igrejinha da UFSC) 16h30 às 19h
A tale of love (Trinh Minh-ha e Jean-Paul Bourdier 1995, 108 min legendado em port.)

Para mais detalhe e para a programação dos dias 23 a 26, veja http://www.fazendogenero9.ufsc.br/mostraaudiovisual.

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